Em 1940, o Corinthians ficou longe do
sonhado tetra campeonato paulista: ficou em quarto lugar, sete pontos atrás do
campeão Palestra.
A melhor recordação daquele ano foi a participação na inauguração do Pacaembu, o maior estádio do país na
época. O Corinthians venceu o Atlético-MG por 4 a 2, numa rodada dupla em que o
Palestra Itália também venceu o Coritiba por 6 a 2.
Recuperando-se do mau campeonato do ano anterior, o Corinthians consegue fazer novamente uma campanha
brilhante em 1941 e chega ao
12º título paulistada sua história. O quarto em
cinco anos.
No ano seguinte, em 1942, o
Corinthians não consegue o bicampeonato paulista, mas chega a duas importantes
conquistas. A primeira delas foi a aquisição do campo do Guarani, que ficava ao
lado do Parque São Jorge. Com isso, o clube aumentou o seu patrimônio, que já
era grande.
A outra glória foi ter
vencido o Troféu Quinela de Ouro, realizado em março. O torneio era uma espécie
de Rio- São Paulo e contava com os cinco principais clubes dos dois estados:
Corinthians, Palestra Itália, São Paulo, Flamengo e Fluminense. Com três
vitórias e um empate, o alvinegro conseguiu o valioso título.
Com a saída de grandes
craques como Teleco e Brandão, o Corinthians foi se enfraquecendo e aos poucos
viu-se inferior aos seus dois maiores inimigos até então: Palestra e São Paulo.
De 1942 à 1950, o Timão fica
sem conquistar o Paulistão e ainda vê o Palestra ganhar três títulos e o São
Paulo cinco. O timão amargou cinco vice-campeonatos, nesse, relativamente
pequeno, mas incômodo jejum de nove anos.
Em 1942 e 1943, o
Corinthians fez boas campanhas nos campeonatos, chegando a vencer quinze dos
vinte jogos que disputou. Mas acabava sempre perdendo na reta final. Em 1943,
nem mesmo contando com os dois artilheiros do campeonato, Hércules, com 19
gols, e Milani, com 18, o Corinthians não teve como segurar o São Paulo.
Nos anos seguintes, a mesma
história foi se repetindo. A torcida começou a cobrar dos diretores do clube
uma renovação no elenco. Um dos poucos que escapavam das críticas da torcida
era Servilio. Artilheiro do Paulistão durante três anos seguidos, 1945, 46 e
47, o atacante baiano jogou no Corinthians durante dez anos e marcou 190 gols
em 350 partidas.
Em 1948, Servilio deixou o
Corinthians, que terminou na modesta quarta colocação no campeonato.
Como consolo para a torcida
que já estava sete anos sem comemorar um título paulista, começou a dar certo a
contratação de Baltazar, ex-Jabaquara de Santos. Naquele ano, o atacante marcou
12 gols e se firmou como o principal nome do ataque alvinegro.
Tanto que, na fraca campanha
de 1949, ele foi o único a se destacar, marcando 17 gols. Luizinho, de 19 anos,
disputa o seu primeiro campeonato e começa a chamar a atenção da crônica
esportiva.
Os anos 50 parecem ter feito
o Corinthians acordar e voltar a ser um time vencedor.
Com o ataque formado por
Cláudio (o Gerente) Baltazar, Luizinho e Mário, o alvinegro virou uma máquina
de fazer gols e dar espetáculos.
Além de festejar o
bicampeonato paulista, a torcida corintiana teve pelo menos mais dois bons
motivos para ficar feliz da vida com o time.
No início do ano, o
Corinthians conquistou em definitivo a posse da Taça São Paulo, que era o
troféu oferecido pela Federação Paulista de Futebol para o vencedor de um
triangular entre os três primeiros colocados de cada campeonato do ano
anterior.
Como já havia vencido o
torneio em 1942, 43, 47 e 48, a conquista de 1952 acabou fazendo com que a Taça
ficasse de vez no Parque São Jorge. Afinal, quem conseguisse ganhá-la por três
vezes seguidas ou cinco alternadas, ficaria com a posse definitiva.
Em abril de 1952, o Corinthians saiu do Brasil pela primeira
vez e foi excursionar na Europa para fazer uma série de amistosos. Como não
poderia deixar de ser, o Timão voltou do exterior com uma campanha memorável: Em
16 partidas, o alvinegro ganhou 15 e perdeu apenas uma, justamente na estréia,
contra o Besiktas, da Turquia, por 1 a 0.
Abaixo, a relação dos jogos.
Besiktas (Turquia) 1 x 0 Corinthians - 22/04/1952 - Istambul, Turquia
Fenerbahçe (Turquia) 1 x 6 Corinthians - 23/04/1952 - Istambul, Turquia
Galatasaray (Turquia) 0 x 1 Corinthians - 26/04/1952 - Istambul, Turquia
Seleção da Turquia 1 x 1 Corinthians - 27/04/1952 - Istambul, Turquia
Seleção de Ancara (Turquia) 1 x 3 Corinthians - 03/05/1952 - Ancara, Turquia
Seleção da Turquia B 1 x 2 Corinthians - 04/04/1952 - Ancara, Turquia
Seleção da Turquia 0 x 1 Corinthians - 06/05/1952 - Istambul, Turquia
Galatasaray (Turquia) 2 x 4 Corinthians - 07/05/1952 - Istambul, Turquia
AIK (Suécia) 3 x 3 Corinthians - 14/05/1952 - Estocolmo, Suécia
Djurgärden (Suécia) 2 x 3 Corinthians - 16/05/1952 - Estocolmo, Suécia
Combinado Copenhague (Dinamarca) 1 x 1 Corinthians - 18/05/1952 - Copenhague, Dinamarca
Malmoe (Suécia) 1 x 2 Corinthians - 27/05/1952 - Malmoe, Suécia
Seleção Gotemburgo (Suécia) 3 x 9 Corinthians - 29/05/1952 - Gotemburgo, Suécia
Seleção Olímpica da Finlândia 1 x 5 Corinthians - 01/06/1952 - Helsinque, Suécia (Inauguração do Estádio Olímpico).
Seleção de Gävle (Suécia) 0 x 6 Corinthians - 04/06/1952 - Gävle, Suécia
Seleção de Halmstads/Hamlia (Suécia) 1 x 10 Corinthians - 08/06/1952 - Halmstad, Suécia
O vídeo abaixo mostra um documentário feito sobre os jogos contra o AIK e o Djurgärden, da Suécia.
Graças a essa bela campanha, o clube ganhou o título de "Fita Azul do Futebol Brasileiro",
dado aos times que permaneciam mais tempo invictos em jogos fora do país.
Com a condição de campeão
nacional (afinal, o Rio- São Paulo dava status ao vencedor), o Corinthians é
convidado a participar de um
Torneio Internacional de Clubes,
na Venezuela, onde é campeão e recebido com festa na volta ao Brasil.
O ano seguinte, 1954, foi um dos mais importantes da história do Timão. O time ganhou tudo o que disputou:
o Rio São Paulo e o
Campeonato Paulista.