Uma tragédia anunciada

Confira esta sequência de fatos:

1- Paolo Guerrero é diagnosticado com dengue e desfalca o Corinthians por pelo menos 10 dias.

2- Corinthians e San Lorenzo empatam sem gols na Arena Corinthians; o Corinthiians assegura a classificação às oitavas e a primeira colocação de seu grupo;

3- O SPFC vence, nos minutos finais, o uruguaio Danubio, e ainda corre riscos matemáticos de eliminação na última rodada;

4- Corinthians e SPFC são eliminados do Campeonato Paulista no mesmo dia: o Corinthians para seu maior rival, nos pênaltis e em casa, o SPFC em derrota clara para o Santos na Vila;

5- Corinthians e SPFC vão se enfrentar três dias depois, na casa são-paulina, em jogo de “vida ou morte” para o SPFC, que não vence o Timão no Morumbi desde 2007;

6- O presidente são-paulino, Carlos Miguel Aidar, começa a especular sobre o árbitro da partida, afirmando que o mesmo “gosta de expulsar” atletas de sua equipe.

Os 6 itens estão entrelaçados, e de certa forma se explicam entre si: coisa que só percebemos depois, a derrota corinthiana na última rodada da 1ª fase da Libertadores era uma tragédia anunciada.

O Timão foi a campo com: Cássio; Fagner, Gil, Felipe e Uendel; Ralf; Elias, Renato Augusto, Jadson e Emerson Sheik; Vágner Love.

O São Paulo, precisando do resultado, começou com muito mais intensidade. Até a metade do primeiro tempo, antes do primeiro gol, o time do Morumbi havia finalizado seis vezes contra apenas uma – sem qualquer perigo – do Corinthians.

Aos 18 minutos, o lance capital: Rafael Tolói faz falta em Emerson Sheik, e o árbitro equivocadamente marca infração do corinthiano; nesse momento, o são-paulino  tenta acertar Emerson, deitado; em seguida, tenta mais uma vez e desfere pisão na perna do jogador número 11. O árbitro nada assinala.

Quando a partida é retomada, fora de lance, Emerson estica a perna e levemente atinge Tolói, que simula uma agressão grave, levando as mãos à perna e rolando no chão, clamando dor.

Emerson foi pouco inteligente, não há dúvidas, mas ali se tornava visível a “desproporcionalidade” com que Sandro Meira Ricci (initimidado pelas declarações do presidente do SPFC?) agiria na noite.

Emerson Sheik é expulso aos 18 minutos do primeiro tempo
Emerson Sheik é expulso aos 18 minutos do primeiro tempo

Já com um homem a menos, o Corinthians foi ficando cada vez mais acuado e cada vez com menos posse de bola — num dado momento o Tricolor chegou a ter 70%, contra meros 30% do alvinegro!

Os dois gols saíram muito próximos um do outro, dando a impressão de que poderia acontecer uma goleada: aos 31 minutos, Felipe afasta mal, deixando a bola nos pés de Hudson, que toca para Luís Fabiano fazer seu primeiro gol na competição. Oito minutos depois, Michel Bastos arrisca de longe, Cássio comete uma falha (a bola quicou à sua frente), e o SPFC chegava ao placar da vitória.

No segundo tempo, o Timão faria três substituições: já no intervalo, Mendoza substitui Vágner Love (mais uma vez desaparecido, ainda que menos atrapalhado); aos 15, Bruno Henrique toma o lugar de Jadson, sobrecarregado na armação; e aos 24, Danilo entra no lugar de Renato Augusto, que foi bastante caçado em campo e sentia dores.

Mendoza seria o pivô do segundo momento mais importante da noite: o colombiano está na lateral direita do ataque corinthiano. Sofre duas faltas em sequência. Na segunda, a bola já estava fora de disputa e o atleta além dos limites de campo. Claramente empurrado por Luís Fabiano, vira-se de forma ríspida, atingindo o braço do atacante.

Luís Fabiano, inspirado em Rivaldo, leva as mãos ao rosto e deita em campo. Discussão, pressão dos são-paulinos.

Depois de alguns minutos de confusão, Meira Ricci toma sua decisão: Mendoza é expulso DIRETO, por (tentativa de) agressão. Luís Fabiano, que recebera amarelo minutos antes por reclamação, recebe a segunda advertência, por… simulação.

Espera aí! Se simulou não houve agressão; se houve agressão não houve simulação! Um é expulso direto (sem direito a revisão, portanto); o outro é expulso por conta aritmética…

E agora, Aidar?

É isso: eliminação no Paulista e “água no chopp” da classificação da Libertadores: uma semana para palmeirense, são-paulino e “anti” nenhum botar defeito!

Mas aqui é Corinthians: como disse Elias em entrevista pós-jogo, “nossa equipe nunca foi de se abater”.

Os retornos de Paolo Guerrero e do lateral Fábio Santos (sofreu contusão no final de fevereiro) darão novo combustível ao time, que tem duas semanas para dar descanso a alguns jogadores e retomar o fôlego do início da campanha, enfrentando o Guarani, no Paraguay.

Vai, Corinthians!

Marcel Pilatti