Um ótimo começo

Corinthians e São Paulo jamais haviam se enfrentado pela Taça Libertadores de América, mesmo participando de algumas edições (2006, 2010, 2013) ao mesmo tempo. Nesse sentido, o jogo já seria histórico. E fez valer a história do clássico.

Com a suspensão de Paolo Guerrero, expulso no primeiro confronto pela Pré-Libertadores diante do Once Caldas, temia-se que a equipe perdesse seu poder ofensivo. Mas não: Tite optou por escalar Danilo na posição do peruano – já fizera isso no segundo jogo, na Colômbia – e manteve o 4-1-4-1, que afirma ter sido inspirado no Real Madrid (confira clicando aqui ótima análise do esquema).

O Timão entrou em campo com: Cássio; Fagner, Gil, Felipe e Fábio Santos; Ralf; Jadson, Elias, Renato Augusto e Emerson; Danilo.

Basicamente, com essa formação o Corinthians ganha em dois pontos fundamentais: aumenta a troca de passes no meio de campo (tanto em quantidade quanto em eficiência), e consegue diferentes avanços à área adversária, uma vez que são 5 jogadores com algumas características semelhantes.

As duas coisas aconteceram logo no início do primeiro tempo: embalados pela presença maciça da torcida (recorde de público na Nova Arena), Fagner lança Jadson, que chuta cruzado; a bola espirra e sobra para Fábio Santos chutar com perigo. Poucos minutos depois, excelente triangulação de Danilo, Elias e Jadson resultou em passe à la Messi do camisa 10 para o camisa 7 que, com perfeição no timing, chutou de primeira na entrada da área: Corinthians 1×0.

Na sequência da primeira etapa, o Timão desacelerou, mas o SPFC não fez nada para elevar o nível do jogo (só chegou a assustar, e muito timidamente, com escanteios): como resultado, uma primeira etapa que começou fervendo terminou morna.

Porém, mesmo que sem modificações no “onze ideal”, o Corinthians voltou mais forte para o segundo tempo. Houve, pelo menos, duas chances claras de gol. O São Paulo não chegou à área corinthiana NENHUMA vez.

Na metade da segunda etapa, Emerson Sheik disputa bola na intermediária defensiva (a maioria das opiniões aponta para falta do camisa 11) derrubando o adversário, e inicia contra-ataque mortal: três defensores são-paulinos firmam-se no atacante corinthiano e deixam Jadson avançar livre pela direita.

Em nova demonstração de tempo de bola apurado, Sheik cruza rasteiro para o camisa 10, que entra na área e dá corte clássico no defensor adversário (Reinaldo caiu sentado) e conclui – fraco – com a perna esquerda. Rogério Ceni, marcado por diversas falhas contra o Timão, ainda toca na bola mas não evita o gol: Corinthians 2×0.

Nos 25 minutos finais, só deu Corinthians: Danilo se posicionou perfeitamente, em passes de Fagner, Renato Augusto e Elias, mas os chutes não foram tão bons: um rasteiro e sem muita força, outros dois excessivamente altos.

Uma vitória incontestável, e que dá muito ânimo para essa longa 56a. edição da Libertadores: com a Copa América, em junho, as semifinais só acontecerão em julho e a decisão será em agosto. Tempo para o Timão ficar ainda mais entrosado e calibrado.

Valeu, Corinthians!

Rumo à segunda conquista da América.

Marcel Pilatti


Uma resposta para Um ótimo começo

  1. Essa é a terceira libertadores que acompanho de longe (moro em Los Angeles na California). É uma sensação bem diferente, aquele misto de saudade dos amigos e do churrasco com a estranheza de só ser possível assistir em espanhol.

    Normalmente a transmissão é feita por Mexicanos e/ou Colombianos. Que como é de se esperar torcem muito pela vitória de qualquer outro time que não seja Brasileiro ou Argentino. É o “torcer” pelo mais fraco que a gente tanto gosta.

    Mesmo em confronto entre Brasil e Argentina eles torcem pelos hermanos, talvez pela proximidade com a lingua, talvez pela quantidade de títulos mundiais que a selecão brasileira tem, e isso causa a impressão de que somos superiores, não sei ao certo.

    Ano passado houve uma festa a cada vitória do SLorenzo, e claro, com o fiasco da copa, o comentário era sempre que o futebol brasileiro tinha acabado.

    O Timão acabou com tudo isso! A cada triangulação havia uma “comoção” dos “latinos”. O “jogo bonito”, os aplausos(!) durante a transmissão e no final, pra fechar a transmissão eles diziam: “Se os brasileiros aprenderem com o Corinthians” teremos mais alguns anos para ter pesadelos com a amarelinha.

    Sou torcedor do Corinthians, mas este ano, ainda além disso, sou fã do Tite. Cara humilde, estudioso, trabalhador e que mesmo após o maior sucesso possível, resolveu “reaprender”.

    Torço pelo sucesso do Timão, porque além de surrar o Sao Paulo, provamos mais uma vez que o Murici e suas idéias são coisas do passado.

    Vai Timão, Vai Tite…. Sucesso pra vocês!