O fim do jejum

Até entrar em campo na última quarta-feira (04), o Corinthians vinha de um péssimo retrospecto enfrentando times argentinos no solo rival em competições oficiais: somando-se Libertadores da América, Copa Mercosul e Copa Sul-Americana, houve um total de 15 partidas com 11 derrotas, 2 empates e apenas 2 vitórias. 28 gols sofridos, 15 marcados. Se levados em conta somente os resultados da Libertadores, 1 empate e 5 derrotas.

Porém, um bom presságio: a última vitória corinthiana em solo hermano havia acontecido diante do mesmo San Lorenzo, em 2001, pela Copa Mercosul. Outro ponto que gerava otimismo era a ausência de torcida no estádio Nuevo Gasómetro: em punição semelhante à ocorrida com o Timão em 2013, o “time do Papa” seria mandante sem torcedores para apoiar.

Jogadores de clubes argentinos possuem o velho estigma da “catimba”, misturando simulações, provocações e alguma violência. No entanto, tais atitudes são bastante inflamadas com a presença dos “hinchas“. Sem eles, acontece um jogo muito mais solto, mas igualmente complicado.

O Timão foi a campo com: Cássio; Fagner, Edu Dracena, Gil e Uendel; Ralf, Renato Augusto, Jadson, Danilo e Elias; Mendoza.

Nos primeiros 15 minutos de partida, o Corinthians praticamente se manteve atrás do meio de campo. Uendel e Dracena, ambos sem ritmo de jogo, deram algum espaço para os rivais. Logo no início, uma bola cruzada na área trouxe grande perigo à defesa alvinegra em cabeceio de Blanco. A partir dali, o Coringão foi se ajeitando e arrumando os espaços no setor defensivo.

A primeira boa chance do Corinthians veio aos 32 minutos: Elias recebeu passe de Renato Augusto e lançou Danilo, partindo em velocidade. Danilo conseguiu uma boa finta e, com o pé “ruim”, cruzou na medida para o camisa 7 cabecear. Ótima defesa do goleiro adversário.

No segundo tempo o Timão faria três substituições: já no intervalo, Cristian entrou no lugar de Renato Augusto, que sofreu uma falta e ficou com dores no tornozelo; Petros substituiu Mendoza no início da etapa; e já no final do jogo Jadson deu lugar a Edilson, reforçando a parte defensiva.

Logo aos 10 minutos, a chance mais clara do clube argentino: Quignón cruzou e Mattos, um pouco desequilibrado, acertou a trave. Na sequência do lance, escanteio. Cruzamento na medida para Mattos cabecear rente à trave.

Nove minutos depois, Cassio cobra um tiro de meta que acabou se tornando um lançamento: Elias recebeu a bola do goleiro no meio de campo, driblou dois jogadores de uma só vez e partiu em velocidade. Petros o acompanhava pela direita e se posicionou para receber o passe. Elias tentou, mas o zagueiro argentino cortou e, na verdade, acabou “tabelando” com o meia, que chutou de primeira, com força, no ângulo direito do goleiro.

Mais um gol corinthiano na Libertadores, mais um golaço, mais um de Elias.

O San Lorenzo voltaria a pressionar, e a melhor chance aconteceu aos 36 minutos: Alan Ruiz arriscou de longe, Cassio rebateu e a bola sobrou para Cauteruccio, que chutou por cima do gol. Mais algumas chances da equipe argentina se sucederam naqueles minutos. Aos 39, Cassio operou verdadeiro milagre em chute sem pulo de Cauteruccio.

14 anos depois, o Corinthians sai com uma vitória na Argentina, tendo arriscado quando necessário e trabalhado de forma pragmática na maior parte do tempo. Abusando dos clichês, o Timão hoje é uma equipe extremamente equilibrada em todos os setores.

A vitória em Buenos Aires foi o triunfo de um time que já está “cascudo” e que sabe segurar jogos e aproveitar erros dos adversários. Exatamente como os argentinos sempre fizeram contra os brazucas.

O Timão agora lidera de forma isolada o seu grupo, e tem a melhor defesa da competição. Mais que isso, permanece invicto em jogos oficiais na temporada 2015.

Vai, Corinthians!

Marcel Pilatti