La mano de Francisco

O Corinthians segue absoluto na temporada 2015: são 23 jogos oficiais seguidos sem derrota. Somando-se a última partida válida por competição, são 24 duelos em que o time está invicto.

Em casa, na Libertadores, a última derrota aconteceu na dolorosa edição de 2006 – desde então, são 20 jogos como mandante na competição, e nenhuma derrota. Outra sequência se dá em Itaquera: em 31 partidas oficiais, a única derrota foi a partida inaugural.

No entanto, isso não significa que o time não tenha seus percalços e não titubeie em alguns momentos.

Na última quinta-feira, o Timão começava bem: recorde de público em Itaquera.

Nos bastidores, torcedores do São Paulo se viam numa situação delicada: embora afirmassem que “jamais torceriam” pelo Timão (e o próprio Rogério Ceni chegou a usar essas palavras), ao mesmo tempo “acusavam” o Corinthians de possivelmente facilitar para o San Lorenzo, ainda antes do jogo.

O Timão foi a campo com o já tradicional 4-1-4-1: Cássio; Fagner, Gil, Felipe e Uendel; Ralf; Jadson, Renato Augusto, Elias e Emerson Sheik; Vágner Love.

A partida foi bastante semelhante à primeira, em Buenos Aires: jogo bastante aberto, com as duas equipes se defendendo bem e contra-atacando rapidamente. De diferente, porém, a menor quantidade de chances reais de gol.

O Timão sentiu bastante a falta de Paolo Guerrero, especialmente por conta da partida abaixo da média protagonizada por Vágner Love: o atacante errou bolas fáceis, teve dificuldade em domínio de bolas lançadas, e não conseguia acelerar as jogadas em dribles curtos.

As melhores chances corinthianas vieram com Renato Augusto, no primeiro tempo (em dois lances de rebote, um quase na pequena área e outro de fora), e com Jadson, de falta, na etapa complementar. O San Lorenzo ameaçou de verdade apenas no primeiro tempo, em duas falhas individuais – Gil, após lançamento, e Felipe, em escanteio – da zaga do Timão.

Renato Augusto foi eleito o melhor da partida
Renato Augusto foi eleito o melhor da partida

Na etapa final, o Corinthians realizou suas substituições: aos 15 Danilo entrou no lugar do atabalhoado Love, e nos minutos finais Mendoza substituiu Émerson Sheik. Nada que modificasse o placar.

Com o empate sem gols, o Timão garantiu sua passagem às oitavas e ainda por cima na primeira colocação.

Já o “time do Papa” conseguiu feito raro: não sofreu gols na Arena Corinthians. Mais que isso, manteve vivas e reais suas chances de classificação: deve vencer o Danubio, em casa, e torcer para que o Corinthians vença o São Paulo.

Para os torcedores do clube de Almagro, esse parece um milagre menor para quem conseguiu sua primeira Libertadores e voltou a vencer o campeonato argentino após mais de uma década desde que Francisco I assumiu o pontificado.

E para o corinthiano, colaborar com mais essa “bênção” será muito gratificante.

Vai, Corinthians! 

Marcel Pilatti