Danúbio e o Manto Negro

O Rio Danúbio nasce na Floresta Negra, na Alemanha, e termina no Mar Negro, em território da Romênia. É, portanto, limitado por duas forças da natureza associadas a uma mesma cor.

Corinthians e Danúbio, do Uruguai, haviam se enfrentado apenas uma vez na história: o duelo aconteceu na Copa do Atlântico – um dos torneios precursores da Libertadores – de 1956: no Pacaembu, empate no tempo normal por 2 a 2, e classificação corinthiana após sorteio. A sorte, portanto, estava do lado do Manto Negro.

59 anos depois, as equipes voltam a se encontrar, desta vez no Uruguai.

A diretoria, antes do começo da partida, já apontava para aquela que seria uma das principais dificuldades do time na partida: a baixa qualidade do estádio e do gramado do Danúbio. Para aumentar a contrariedade, os torcedores corinthianos teriam de pagar quatro vezes mais pelos ingressos. No entanto, como diz o ditado, jogo se ganha no campo.

Novamente, Tite adotou o esquema 4-1-4-1. A equipe foi a campo com: Cássio, Fagner, Gil, Felipe e Uendel; Ralf; Elias, Renato Augusto, Jadson e Emerson; Guerrero.

O primeiro tempo foi bastante fraco, com poucos lances de perigo dos dois lados. Muitas faltas de ataque. No começo, o Danubio conseguiu uma boa chance em cruzamento, mas Cassio fez bela defesa. Do lado corinthiano, apenas Guerrero conseguia algo diferente.

Aos 27 minutos, uma chance boa para o Coringão: Jadson e Uendel tabelam, o lateral tenta por cobertura, a zaga adversária afasta e, no rebote, Sheik chuta com perigo.

Doze minutos depois, um lance capital: Elias lança Guerrero que, já dentro da área, dribla o zagueiro uruguaio e e é derrubado. Pênalti claro. Para todos, menos para o árbitro chileno.

No segundo tempo, o Corinthians ainda tem dificuldades de início, e as chances mais claras são do Danúbio.

Aos 16 minutos, porém, novo pênalti para o Timão. Desta vez, o juiz assinalou. Sem o cobrador oficial de penalidades – Fábio Santos -, Guerrero chega na bola, mas a cobrança fica a cargo de Renato Augusto. O meia isola: chute alto, à direita do goleiro.

Parecia uma chance perdida, e o empate seria o destino. Mas apenas oito minutos depois, Fagner recebe passe de Jadson e, com velocidade, cruza para Guerrero: o peruano engana o zagueiro, antecipa-se e bate de sem pulo. Lindo gol.

Mais um golaço do Timão na Libertadores!

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Guerrero comemora o primeiro gol do Timão

Nesse momento acontece a única substituição do Corinthians: Renato Augusto dá lugar a Danilo. O meia, famoso por seu controle da bola (Zidanilo, para os torcedores), passa a ditar o ritmo de jogo.

Aos 32 minutos, Graví faz dura falta em Guerrero, do lado direito. Jadson cruza na medida para o zagueiro Felipe cabecear. Segundo gol do defensor, tão questionado, nessa Libertadores.

A vitória estava assegurada, e o Timão ia completando seu sétimo jogo consecutivo sem sofrer gol… Até que um vacilo na intermediária, já nos acréscimos, permite a Barreto dar bela arrancada, passar por quatro defensores, e marcar um golaço.

Mas é aquilo: 2 a 0 ou 2 a 1 valem três pontos. E o Corinthians não perde em jogos oficiais desde novembro.

Como 59 anos antes, a sorte estava do lado do Timão, e Danúbio mais uma vez padece diante do negro. O alvi-negro de Parque São Jorge. Ou Itaquera.

Vai, Corinthians!

Marcel Pilatti