Danúbio Azul

A equipe corinthiana apresenta, hoje, um nível de excelência no futebol brasileiro: nenhum outro time do país consegue unir tamanha eficiência e qualidade técnica. Isso posto, assistir a nova vitória do Timão diante do Danúbio foi como observar uma apresentação daquela famosa valsa de Strauss — relembre aqui: movimentos sincronizados, notas limpas, sonoridade perfeita.

É claro que se trata de um adversário bastante frágil (perdeu todos os 4 jogos disputados, e conseguiu marcar gols somente como mandante), mas esse tipo de situação tem se repetido ao longo de 2015. Como na estreia na fase de grupos, diante do SPFC, somente o Corinthians jogou. E um jogador em especial jogou como nunca.

O Timão foi a campo com: Cássio; Fagner, Felipe, Gil e Uendel; Ralf; Jadson, Elias, Renato Augusto e Emerson; Guerrero 

Logo no início da partida, Emerson recebe em profundidade na esquerda, se aproxima da área e cruza rasteiro para Paolo Guerrero. O peruano, muito marcado, finaliza e o goleiro defende; no rebote, Elias tenta a finalização cercado por vários adversários.

Poucos minutos depois, lance parecido: Uendel recebe na linha de fundo e cruza para trás; Jadson faz o corta-luz e Emerson Sheik entra para definir. Nova defesa do goleiro uruguaio. Em novo ataque, aos 25 minutos, Guerrero recebe na entrada da área e é derrubado. Falta. Jadson cobra no melhor estilo Neto/Marcelinho e coloca a bola no ângulo direito. Golaço.

Em uma das poucas vezes em que se pode dizer que o Danúbio foi ao ataque, Felipe despacha a bola para o meio de campo dando início a um contra ataque mortal: de costas, Guerrero mata bola já realizando um passe milimétrico para Jadson, na meia direita. O camisa dez retarda o passe aguardando Elias avançar e lança o meia, que foge da falta e cruza para Guerrero cabecear: outro lindo gol do Timão.

Guerrero marca o segundo gol do Timão

Entre o chutão de Felipe e o cabeceio de Guerrero, 13 segundos e 9 toques na bola. Foi como na valsa: Pa-ra-ra-ram… Pam-pam! Pam-pam!

Logo no início da etapa complementar, um quase replay do segundo gol: outra vez Felipe despacha a bola, outra vez Guerrero a domina. Agora, o passe é para Renato Augusto, que manda a bola para Emerson. Sheik cruza na medida e Guerrero, sem pulo, finaliza sem chances para o goleiro adversário.

Nos 20 minutos seguintes, o Timão diminuiu o ritmo, mas sem jamais ser ameaçado. Aos 22, falta na ponta direita. Jadson cruza e… Guerrero, no que provavelmente seria pênalti,  finaliza já quase deitado. Terceiro gol do peruano no jogo, seu primeiro hat-trick com a camisa do Timão (são 53 até agora).

As substituições aconteceram somente na reta final da partida: aos 28 minutos, Edu Dracena entra no lugar de Felipe; aos 34, Elias dá lugar a Petros; e aos 41, Vágner Love substitui Emerson. Quase nos acréscimos, o camisa 29 acerta a trave em rebote de chute de Petros.

Agora, na Libertadores, são 6 jogos, 5 vitórias e 1 empate. 14 gols marcados e apenas 2 sofridos. O Corinthians chegou à sua 21ª partida invicto ao longo do ano. Em jogos válidos por competições oficiais, a última derrota corinthiana foi em 30 de novembro de 2014. Parece que foi no tempo de Strauss.

Vai, Corinthians!

Marcel Pilatti

PS: Desnecessário dar alguma importância, mas apenas para mencionar, tivemos um caso de injúria racial contra Elias. Mas o Corinthians é o time do povo: é preto e branco.