• “O maior da história”

    Nas mais diversas modalidades desportivas, quando se fala em “maior nome da história“, geralmente se pensa em dois aspectos: o primeiro deles é mais objetivo, e se refere às conquistas, à totalidade dos números, vitórias, títulos, premiações, à constância nas disputas, ao domínio estatístico; o outro é subjetivo e fala da importância do personagem, contexto, influência, contribuições históricas, carisma, espetáculo, além da opinião de especialistas da área.

    Raramente os dois aspectos se unem, e é isso o que gera acalorados e intermináveis debates.

    No tênis e no futebol aparecem casos de atletas que conseguiram dominar tanto objetiva quanto subjetivamente: Pelé é o único a vencer 3 Copas do Mundo, enquanto Federer é o que mais ganhou Grand Slams. Mais que isso, porém, foram absolutamente inovadores em suas épocas, dando a impressão de estarem “à frente do tempo”.

    No atletismo e na natação, com Usain Bolt e Michael Phelps, vemos exemplos em que os atletas, impulsionados por um período no qual a mídia passou a finalmente dar destaque maior a certas modalidades, alçaram a posição máxima justamente pelas constantes e massivas conquistas – especialmente nos Jogos Olímpicos.

    Já na NBA e na F1 temos o oposto: Michael Jordan e Ayrton Senna não são os maiores vencedores das categorias, mas geralmente são citados como os principais nomes das mesmas por conta da época e da forma em que atuaram: marcaram o período de expansão da marca, e são muito lembrados pela plasticidade e pela superação que protagonizaram.

    Longe dos recordes, mas no topo do esporte
    Longe dos recordes, mas no topo do esporte

    ***

    O eminente título do Campeonato Brasileiro de 2015 será o sexto conquistado pelo Corinthians na competição e o sexto da carreira de Tite no comando da equipe. Quando do triunfo da Recopa Sul-Americana, em 2013, Tite ultrapassou Osvaldo Brandão para se tornar o técnico com mais títulos à frente do clube.

    Confira a lista:

    1- Tite (2 Brasileiros, 1 Paulista, 1 Libertadores, 1 Recopa e 1 Mundial) — 6
    2- Brandão (2 Paulistas e 2 Rio-São Paulo) — 4
    3- Rato (2 Paulistas e 1 Rio-São Paulo), Nelsinho Baptista (1 Brasileiro, 1 Supercopa e 1 Paulista), Oswaldo de Oliveira (1 Paulista, 1 Brasileiro e 1 Mundial) e Mano Menezes (1 Série B, 1 Paulista e 1 Copa do Brasil) — 3

    Como se vê, só os títulos não contam a história toda: Nelsinho e Oliveira têm números maiores do que os trabalhos que realizaram, enquanto Rato e Mano Menezes, e o próprio Brandão, ganharam menos do que poderiam e mereciam.

    Mas os que mais ganharam são, também, os dois que por mais tempo estiveram no comando: atualmente, Tite soma 338 partidas à frente do Corinthians (33ª rodada): está 97 jogos atrás de Osvaldo Brandão. No “clube dos 200” aparecem ainda Rato (256), Mano Menezes (248) e Amílcar Barbuy (240). Cumprindo seu contrato, Tite deve se tornar o primeiro a romper a marca de 500 jogos.

    Vejamos algumas marcas das equipes comandadas por Adenor Leonardo Bacchi:

    – 4ª maior série invicta da história do clube (26 jogos sem perder ao longo de 2015) — a maior sequência desde 1957;

    – Maior série invicta da história da Taça Libertadores de América (17 jogos entre 2012 e 2013);

    – 2ª maior série invicta do Campeonato Brasileiro de pontos corridos (17 jogos em 2015, 1 a menos que SPFC/2008 e CAP/2004) — a maior sequência da equipe na história da competição (desde 1971);

    – 2º melhor aproveitamento em início de Campeonato Brasileiro (93.3%, sendo 9 vitórias e 1 empate, em 2011) — melhor performance da história do clube no mesmo período;

    Outros números bastante significativos podem surgir do Brasileiro-2015: com mais sete pontos, será a maior pontuação do novo formato do Campeonato com 20 clubes. Além disso, o Corinthians pode se tornar o time com mais gols marcados e maior número de vitórias na história desta competição. Já a defesa não poderá chegar ao recorde: é apenas a segunda melhor dos últimos dez anos.

    ***

    A temporada atual foi um resumo da história de Tite no clube: começo meio desconfiado, início arrasador da Libertadores, duas eliminações em seguida, alguns questionamentos, a saída de diversos e fundamentais atletas, derrotas contundentes no início do Brasileiro…

    A equipe titular que iniciou a campanha na Libertadores-2015 tinha os seguintes atletas: Cássio, Fagner, Gil, Felipe, Fábio Santos, Ralf, Jadson, Elias, Renato Augusto, Emerson e Guerrero. 7 dos 11 foram contratações da equipe no período das grandes glórias (2011-2012), o que mostra o entrosamento absoluto do time – Ralf e Elias são ainda mais antigos, enquanto Jadson e Fagner já estavam na equipe desde o começo do ano anterior.

    Porém, no meio da temporada, três desses titulares saíram (Guerrero, Emerson e Fábio Santos), além de boas peças de reposição, como Petros. Em entrevista ao “Bola da Vez” Renato Augusto falou sobre o período crucial da temporada: “cheguei pro Tite e falei: ‘e aí, vai sair mais alguém?! Porque ainda dá tempo de eu pular fora…”“.

    Foi a fase que sucedeu a vexaminosa eliminação para o Guarany, do Paraguay, e que teve como momento mais duro a incontestável derrota para o Palmeiras (2 a 0) na Arena Corinthians.

    Não foram poucos, entre torcedores e imprensa, os que apontaram o Corinthians como “estagnado”, “decepção”, “obsoleto”. Houve quem fosse além e dissesse que a equipe lutaria para fugir do rebaixamento (sic).

    [youtube http://www.youtube.com/watch?v=WLaQrRvffBs&w=420&h=315]

    Diversas mudanças foram feitas. Novas contratações chegaram. Atletas foram promovidos da base. Outros, que vinham amargando a reserva, tiveram chances.

    E o time voltou a apresentar nível igual ou melhor do que aquele que encantou o país no primeiro trimestre – vale ler a crônica de PVC após a ótima vitória contra o Flamengo no Maracanã.

    Mas não parou por aí: na virada de turno do Brasileirão, muitas baixas.

    Luciano, que se tornara titular e vinha de 5 gols nos últimos 3 jogos, machucou o joelho e foi descartado da temporada. Uendel e Fagner, donos absolutos de suas posições, se machucaram dando lugar a improvisações (em vários jogos houve um “rodízio defensivo”), a um inexperiente Guilherme Arana e a um desacreditado Edílson.

    Bruno Henrique, que tomara a posição de Ralf, lesionou-se. Rildo, que fora contratado e se tornara uma espécie de “Tupãzinho 2015“, se machucou aos 3 minutos da primeira partida que começava como titular.

    E o time continuou jogando demais!

    Reflexo das mudanças táticas e de posicionamento (leia ótimo comparativo entre 2014 e 2015) daquele que é (re)conhecido como “o melhor meio de campo do país”.

    Será que isso significa que o técnico é foda?…

    [youtube http://www.youtube.com/watch?v=es5hMdiUPi0&w=420&h=315]

     

    Na entrevista coletiva do anúncio de seu retorno, Tite reconheceu que a ofensividade era seu ponto fraco e disse que buscou “trabalhos específicos ofensivos. Queria ter uma gama de trabalhos ofensivos maiores para acrescentar“. O treinador ainda prometeu “intensidade alta, com concentração e velocidade na sua execução“.

    Dez meses depois, o resultado está aí.

    2015 foi o ano que, de uma vez por todas, consagrou Tite como o maior treinador da história do Corinthians.

    E, como Pelé e Federer, ele tem a felicidade de ser, também, o maior vencedor.


  • Classificação ajustada

    Corinthians, 49 pontos. Atlético-MG, 42.

    49 – 42 = 7.

    7 pontos de diferença.

    Após a 22ª rodada, cálculos mirabolantes por parte dos torcedores decretam: é somente por causa da arbitragem que o Corinthians é líder.

    Erros têm sido evocados, mas somente dois tipos: os contra o Atlético-MG, e os a favor do Corinthians.

    Neste vídeo, por exemplo, um determinado jornalista decreta: “O Corinthians ganhou 6 pontos indevidos, e o Atlético-MG perdeu 5” — isso, antes da 22ª rodada…

    Notemos, pois: NÃO HOUVE E NÃO HÁ erros de arbitragem que prejudiquem o Corinthians – e, em 2015, NÃO HOUVE E NÃO HÁ erros de arbitragem que favoreçam o Atlético-MG.

    Vamos à lista dos lances polêmicos e a VISÃO DE TORCEDORES/IMPRENSA contrários ao Corinthians:

    – pênalti pró-São Paulo não marcado. O jogo terminou 1 a 1. O Corinthians somou 1 ponto. O São Paulo venceria 2 a 1. Perderia 1 ponto.

    – pênalti inexistente assinalado pró-Corinthians contra o Sport. O jogo terminou 4 a 3. O Corinthians somou 3 pontos. Empataria 3 a 3. Perderia 2 pontos.

    – gol do Avaí mal anulado. O jogo terminou 2 a 1. O Corinthians somou 3 pontos. Somaria 1. Mas aqui os torcedores alegam que o Avaí VENCERIA. No momento do gol estava 1 a 1. O Avaí somaria 3 pontos, O Corinthians Perderia 3 pontos.

    – gol do Fluminense mal anulado. O jogo terminou 2 a 0. O Corinthians somou 3 pontos. Somaria os mesmos três. Mas aqui os torcedores alegam que o Fluminense EMPATARIA. No momento do gol estava 1 a 0. O Fluminense somaria 1 ponto. O Corinthians Perderia 2 pontos.

    No total, portanto, o Corinthians PERDERIA 8 PONTOS.

    49 – 8 = 41.

    Atlético-MG, 42 pontos. Corinthians 41.

    Erros contra o Atlético-MG e a VISÃO DE TORCEDORES/IMPRENSA contrários ao Corinthians:

    – pênalti não marcado pró-Atlético-MG no jogo contra o Grêmio. O jogo terminou 2 a 0 para o Grêmio. O Atlético somou 0 ponto. Caso fizesse o gol, somaria ainda zero. Mas no momento do pênalti estava 0 a 0. Torcedores e jornalistas decretam: o Atlético-MG venceria a partida. Somaria 3 pontos.

    – gol não anulado da Chapecoense. O time catarinense venceu por 2 a 1. Sem o gol, o Atlético conquistaria o empate. Somaria 1 ponto.

    – pênalti inexistente assinalado pró Atlético-PR: o jogo terminou 1 a 0 para o time paranaense. Terminaria 0 a 0. O Atlético-MG somaria 1 ponto.

    No total, portanto, o Atlético-MG SOMARIA 5 PONTOS.

    42 + 5 = 47.

    Atlético-MG 47 pontos, Corinthians 41.

    Assim, o cálculo se dá da seguinte maneira: “O Corinthians é líder do Brasileiro com 7 pontos de vantagem?! Roubo, complô!! O normal seria o Galo liderar com 6 de vantagem!!”

    Esse é o FANTÁSTICO MUNDO DE BOBBY em que os anti-corinthianos vivem e se sentem felizes e imparciais por NÃO SEREM INFLUENCIADOS PELA GLOBO e por conseguirem PENSAR COM A PRÓPRIA CABEÇA.

    "O Corinthians só rouba e os outros sofrem"
    “O Corinthians só rouba e os outros sofrem”

    A Folha de São Paulo, apenas para citar um veículo com notoriedade e credibilidade no país (porque se fôssemos citar blogs de Cosme Rímoli, Milton Neves etc. passaríamos o dia), faz matéria compilando todos os lances que mencionamos acima e, mesmo não apontando a soma que aqui fizemos, induz o leitor a tal raciocínio.

    Mas toda história tem — ou deveria ter — dois lados.

    E qual seria o outro lado?

    Como descrevemos no post “Pênalti para o Corinthians”, o lance que originou o pênalti que levaria ao quarto gol e consequente vitória corinthiana de fato existiu.

    Sérgio Corrêa, presidente de arbitragem da CBF, e os ex-arbitros Renato Marsiglia e Sálvio Espínola todos concordam que, sim, HOUVE o pênalti.

    Portanto, o Corinthians, que na conta do senso comum teria 41, novamente ganha os dois pontos da vitória contra o Sport e vai a 43, se aproximando do “real líder” Atlético.

    Quanto ao lance do São Paulo, realmente é inquestionável. O Corinthians não consegue o empate e permanece com aquele ponto a menos.

    Sobre Avaí e ao Fluminense: de fato foram dois gols legais, sendo que ambos não devem ser considerados erros tão grosseiros quanto aquele contra o São Paulo.

    Por que? O do Avaí os atletas estavam na mesma linha, e o do Fluminense é muito bem dissecado nesta postagem do ótimo site “Pergunte ao árbitro” (sim, é preciso ler se você NÃO FOR apenas alguém que “odeia o Corinthians mais do que torce por seu time”).

    Mas independente de sua explicação, de fato os dois erros aconteceram.

    Agora, a pergunta: por que, necessariamente, o Corinthians perderia para o Avaí? O segundo gol, que selou a vitória, veio depois. Seria IMPOSSÍVEL que, tendo tomado o segundo gol, o Corinthians empatasse? Por que?

    Consideremos, pois, que o Corinthians empatasse a partida. Somaria 1 ponto, indo a 44, e diminuindo  agora em três pontos a liderança do “real líder” Atlético.

    E contra o Fluminense?! Por que, necessariamente, o Corinthians não venceria o Fluminense? A equipe paulista DOMINOU a partida, especialmente no primeiro tempo, e seguiu pressionando o adversário, até marcar o segundo gol, em falta clamorosa — o jogador tricolor simplesmente segura por um metro o corinthiano.

    Podemos somar os três pontos corinthianos? Vocês deixam?…

    Assim, o Corinthians iria a 46, diminuindo a vantagem do Galo em 1 ponto — mas, tudo bem, vamos deixar entre parênteses os 3 pontos a menos, para que não se esqueçam (43).

    Mas e o Galo?

    Continua ali, com 47 pontos, só tendo sido prejudicado, jamais beneficiado!

    De fato, o gol da Chapecoense, que tirou um ponto do Atlético, é inquestionável. O Galo, portanto, se mantem lá em cima.

    Mas, assim como no caso do Fluminense, por que, necessariamente, o Atlético VENCERIA o Grêmio? Em que momento da partida o Atlético fez por merecer essa possível vitória? Se o pênalti não foi assinalado no começo da partida (aos 17 min.), por que a equipe de BH NÃO CONSEGUIU marcar ao menos uma vez em 75 minutos?! E os méritos dos gaúchos, inexistentes? Foram dois gols e um bom controle da partida, portanto não parece NEM UM POUCO justo decretar que o Galo venceria.

    Mais do que isso: houve um pênalti DO ATLÉTICO MINEIRO nesta partida!

    Pênalti claríssimo.
    Pênalti claríssimo.

    Assim, em vez de 3, o Galo somaria NENHUM  ponto extra, caindo de 47 para 44, e já ficando dois pontos atrás do Corinthians (46) — ou então um à frente (43), devido às considerações de Avaí/Flu.

    No jogo do Atlético-PR, em que o Galo perdeu e “deveria” empatar: o pênalti, sim, EXISTIU. Mas é algo polêmico… Porém, houve um outro lance que FOI PÊNALTI claro, em Nikão.

    Por que NINGUÉM FALA DESSE LANCE? Assim, o Atlético-PR merecia, sim, a vitória, e o Galo deixa de somar aquele ponto da classificação ajustada, descendo para 43 — três a menos que o Corinthians (46); ou igual, devido às considerações de Avaí/Flu…

    Vale muito ver a boa análise de Sálvio Espinola — que afirma terem havido DOIS PÊNALTIS (um marcado e outro não) a favor do time paranaense.

    Então, Corinthians 46 e Atlético-MG 43.

    Está bom assim?

    Não, não está.

    Separamos aqui mais três lances.

    Atlético-MG 2×1 Palmeiras: o gol que deu a vitória ao Galo nasceu de um PÊNALTI INEXISTENTE:

    O Atlético-MG venceu por 2 a 1. Sem este gol, seria 1 a 1. Perderia 2 pontos.

    43 – 1 = 41. Atlético-MG 41 pontos.

    E quais os outros dois lances polêmicos?

    Corinthians x Santos, oitava rodada.

    Santos 1, Corinthians 0.

    Porém, o gol a favor do Santos estava em impedimento. E houve um pênalti claro a favor do Corinthians:

    [youtube http://www.youtube.com/watch?v=OPWpHL94Gx0&w=560&h=315]

    Assim, adotando o mesmo critério da turma que torce contra, o Corinthians, que ficou com zero ponto na partida, somaria TRÊS, pois o gol do Santos foi ilegal e houve um pênalti claro a favor do Corinthians — e, como vimos, todos os pênaltis não marcados são sempre considerados gols.

    Portanto, o Corinthians somaria mais 3 pontos indo a… 49! os mesmos que soma hoje, abrindo não 7 mas OITO pontos de vantagem para o Galo.

    É isso?

    Ah, vamos considerar que o Flu empataria e o Avaí venceria.

    Corinthians 46, Atlético-MG 41.

    Com a palavra Alexandre Anelka Kalil: “não, o Atlético-MG não seria líder, não tô dizendo isso… o Corinthians iria liderar, sim, mas não com 7 pontos de vantagem“.

    [youtube http://www.youtube.com/watch?v=KapFvySg4c0&w=560&h=315]

    Será que foi desse nosso cálculo, 46 a 41, que ele estava falando?…

    Vale lembrar que o jogo entre as duas equipes terminou em vitória (1 a 0) para o Corinthians, e não houve qualquer reclamação por parte dos atleticanos.

    Vai, Corinthians!

    Marcel Pilatti

    _______________________________________________________________________

    Atualizações de 06 de setembro, 23ª rodada.

    Uma série de erros de arbitragem aconteceram, nenhum deles a favor do Corinthians. Novamente, o Santos FC foi bastante beneficiado, e NADA de repercussão na imprensa.

    No jogo do Atlético-MG contra o Vasco (vitória mineira por 2 a 1), os vascaínos reclamaram muito — Jorginho chegou a atirar o agasalho no chão — de uma falta sobre Jorge Henrique, no lance que originou o segundo gol atleticano. O atleta vascaíno afirma que os próprios atleticanos reconheceram ter sido falta.

    Será?

    O mais cômico, porém, é ver os atleticanos dizendo que NÃO FOI PÊNALTI de Dátolo (Confira o video no link ao lado):

    "Ai meu Deus, não foi pênalti, é pra ajudar o Corinthians!"
    “Ai meu Deus, não foi pênalti, é pra ajudar o Corinthians!”

    É claro que eles queriam que não fosse marcado, seguindo o mesmo critério da partida contra o Grêmio…

    E no jogo entre Corinthians e Palmeiras, tivemos outro lance polêmico, no terceiro gol do Palmeiras, Alecsandro teria feito falta em Love:

    [youtube http://www.youtube.com/watch?v=Llhm0FCQinM&w=500&h=350]

    Foi? Não foi? Como disse Juca Kfouri, “Imagine se fosse o contrário…

    E a pontuação, Kalil?!


  • “Pênalti para o Corinthians”

    [Para ler ouvindo: “Pode Chorar”, na versão de Alexandre Pires]

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    Piadinhas (“se eu tropeçar e cair na calçada, é pênalti pro Corinthians“), teorias da conspiração (“o campeonato brasileiro já está comprado a favor do Corinthians“), raiva (“time que só ganha roubado!”) e puro desconhecimento (“sempre marcam pênalti pro Corinthians, coisa chata“).

    Essa é a tônica da torcida brasileira ao comentar o Campeonato Brasileiro desde que o Corinthians (re)assumiu a ponta da tabela. Falsos dados se misturam a informações incompletas. O tradicional desprezo que o brasileiro comum tem pela pesquisa, pelo estudo e pela averiguação de informações se mistura ao fanatismo e à paixão unilateral dos torcedores de futebol.

    Resultado: desinformação.

    Até o momento — 31 rodadas completas, quase cinco meses de competição –, outros seis times tiveram  mais penalidades marcadas a seu favor (inclusive o campeão de reclamações, Atlético-MG), e outros cinco tiveram o mesmo número de marcações. Confira:

    Clubes com mais pênaltis marcados a favor no Brasileirão de 2015 (até a 31ª rodada):

    8 pênaltis
    Santos;
    7 pênaltis
    Goiás;
    5 pênaltis
    Atlético-MG, Avaí, Sport e Vasco;
    4 pênaltis
    Atlético-PR, Corinthians, Fluminense, Grêmio e Internacional ;
    3 pênaltis
    Ponte Preta e São Paulo;
    2 pênaltis
    Chapecoense, Cruzeiro, Figueirense e Flamengo;
    1 pênalti
    Coritiba e Palmeiras;
    Nenhum pênalti
    Joinville.

    A outra reclamação – que facilmente “viraliza” na internet – é a de que, até o momento, nenhuma penalidade foi marcada para o adversário corinthiano. De fato, o Timão ainda não teve de encarar nenhum pênalti, mas situação idêntica vive o Coritiba Football Club, time que ainda está na zona de rebaixamento:

    Clubes com mais pênaltis marcados contra no Brasileirão de 2015 (até a 28ª rodada):

    8 pênaltis
    Figueirense;
    7 pênaltis
    Internacional;
    6 pênaltis
    Flamengo e Vasco;
    5 pênaltis
    Atlético-MG e Atlético-PR;
    4 pênaltis
    Fluminense, Palmeiras, Avaí e Santos;
    3 pênaltis
    Chapecoense, Goiás, Joinville;
    2 pênaltis
    Grêmio, Ponte Preta e São Paulo;
    1 pênalti
    Cruzeiro, Coritiba e Sport;
    Nenhum pênalti
    Corinthians.

    Vejamos, pois, como foram as penalidades marcadas a favor do Corinthians:

    1) Corinthians 2 x 1 Figueirense, 27/06/2015 – gol que deu a vantagem de 2 x 0

    [youtube http://www.youtube.com/watch?v=djGpcwcoYOs]

    2) Corinthians 4 x 3 Sport – gol que selou a vitória corinthiana

    [youtube http://www.youtube.com/watch?v=t_ZdIrne5TI&w=560&h=315]

    3) Chapecoense 1 x 3 Corinthians – gol que selou a vitória corinthiana

    [youtube http://www.youtube.com/watch?v=fAKPEFxPfQQ&w=560&h=315]

    4) Corinthians 2 x 0 Santis – gol que abriu o placar da vitória corinthiana

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=8Kp7e8zGgaw]

    O primeiro pênalti, convenhamos, somente pura birra pode explicar uma opinião de que “não foi”: Thiago Heleno aplica um golpe estilo Dhalsim do Street Fighter. No da Chapecoense, também parece haver pouca discussão, visto que o atleta do time catarinense usa o braço nas costas do jogador corinthiano — e o simples fato de não ter havido nenhuma reclamação por parte da equipe de Chapecó já é um bom indício da clareza da falta. O mesmo pode ser dito sobre a penalidade contra o Santos: o próprio jogador santista admitiu que cometeu a penalidade.

    Já no segundo caso, por tratar-se da clássica “bola na mão”, acontece maior polêmica.

    No entanto, o atleta dá um carrinho com o braço direito ABERTO E ERGUIDO, em lance na pequena área, com potencial chance de gol. É claro que sempre haverá opiniões divergentes, mas é um caso em que a maioria dos especialistas, comentaristas e árbitros CONCORDA com a marcação.

    Ironia das ironias, o Sport disse, quando da partida, que iria à justiça (e, lógico, não foi) contra o juiz que assinalou a penalidade. Além de ser a equipe com mais pênaltis a favor, o clube do Recife teve pelo menos uma penalidade inexistente marcada a seu favor.

    Talvez o que mais tenha ajudado na polêmica foi o fato de, dias antes da partida contra o Sport, o Corinthians ter sido beneficiado pela não marcação de um pênalti a favor do São Paulo. De fato, houve a penalidade por parte de Uendel, e a partida, que terminou 1 a 1, poderia acabar com vitória são-paulina, tirando um ponto do Corinthians na tabela.

    Mas o São Paulo (que como vimos teve os mesmos pênaltis a favor do Corinthians), também teve pelo menos uma penalidade clara contra seu time — mas esta aconteceu na acachapante derrota por 3×0 para o Goiás no Morumbi — não marcada.

    Vejamos agora outros dois lances polêmicos relacionados a pênalti com bola na mão.

    O primeiro deles, Atlético-MG 0x2 Grêmio:

    [youtube http://www.youtube.com/watch?v=1zKDac37VAQ&w=560&h=315]

    O outro, penalidade marcada para o Santos – que é quem mais teve pênaltis bizarros a seu favor (confira o marcado em Lucas Lima, Santos 5×2 Avaí e o anotado por “falta” em Ricardo Oliveira, Santos 3×1 Chapecoense) – contra o Atlético-PR (0x0):

    [youtube http://www.youtube.com/watch?v=U_9Q8IOtP8I&w=560&h=315]

    Dos quatro lances supracitados — Corinthians X Sport, SPFC X Corinthians, Atlético-MG X Grêmio e Atlético-PR X Santos –, pode-se dizer que houve um acerto (Corinthians e Sport) e três erros: os não marcados pró-São Paulo e Galo deveriam, sim, ter sido assinalados porque os braços dos respectivos atletas estavam abertos e a bola ia em direção ao gol; já o pênalti santista, não: além de o cruzamento ter sido para trás, o braço do jogador estava encostando no chão.

    Analisando os resultados das partidas, somente o São Paulo poderia reclamar um pouco mais, pois com o eventual gol somaria 3 pontos, e não 1. Já Atlético-PR (até pela defesa de seu goleiro na penalidade) e Atlético-Mineiro não teriam perdas significativas com as mudanças nas marcações: o jogo do “Furacão” terminou zerado e o Galo perdeu não por um mas por dois gols de diferença.

    Há ainda um quinto lance de bola na mão, envolvendo os mencionados Santos FC e Corinthians, que obviamente não foi nem será relembrado pela turma do “pênalti pro Corinthians“:

    [youtube http://www.youtube.com/watch?v=Snq_cPSS29M&w=560&h=315]

    O jogo terminou 1×0 para o Santos. O Corinthians somou zero ponto. Caso convertesse a cobrança, somaria 1 — o mesmo pontinho que perderia se porventura assinalassem a penalidade pró-SPFC e o time do Morumbi marcasse seu gol.

    Mesmo com as reclamações tricolores, quem mais está “acusando” o Corinthians é o Clube Atlético Mineiro, time que não vence o Brasileiro desde sua primeira edição, 44 anos atrás, e que teve sua última grande chance de ser campeão em 1999, quando foi vice do… Corinthians.

    Os mineiros, além do pênalti não marcado contra o Grêmio, falam bastante do segundo gol da Chapecoense (vitória do time catarinense por 2 a 1), quando a bola resvalou no braço de Apodí, autor de belíssimo gol (nesta soma, levando-se em conta os resultados das partidas — derrotas por 2 a 0 e 2 a 1 — pode-se dizer que o “Galo” somaria apenas um ponto a mais, em possível empate em SC).

    Um dos diretores do clube falou em “só um time sendo favorecido“, em clara referência ao Corinthians.

    Não se sabe se em virtude das reclamações, como que a “acalmar os ânimos” dos mineiros, o Galo foi favorecido contra o Palmeiras na vigésima rodada, com a marcação deste pênalti:

    [youtube http://www.youtube.com/watch?v=7LN7n3DmGYE&w=560&h=315]

    Foi pênalti? Houve contato? O contato foi intencional?… Não, não.

    Digam o que disserem, se tal lance fosse assinalado pró-Corinthians todos nós sabemos qual seria a reação popular.

    Aliás, nem precisamos imaginar muito.

    Em 2010, este lance resultou em pênalti pro Corinthians:

    [youtube http://www.youtube.com/watch?v=VUcW-WYqt1Q&w=420&h=315]

    Na época aconteceu o seguinte:

    – Fabrício, revoltado, saiu de campo durante a partida;
    – O presidente Zezé Perrela — aquele, do helicóptero — acusou diretamente Andrés Sanchez, presidente do Corinthians;
    – O técnico Cuca socou a mesa durante coletiva, falando: “a gente trabalha e vem os caras e ferram com a gente“.

    Compare as duas penalidades:

    ronaldogil

    O lance do Atlético-MG não gerou a mesma revolta por parte dos palmeirenses – que também foram beneficiados claramente contra o Flamengo – e tampouco gerou “dúvidas” na imprensa e na torcida.

    Reflexo do tamanho do Atlético.

    E do Corinthians.

    Marcel Pilatti

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    Atualizações de 30 de agosto de 2015:

    PS¹: Em matéria publicada no GloboEsporte.com ao final de 2012, lia-se: Assim como em 2011, Cruzeiro foi o time com mais pênaltis a seu favor.

    PS²: Após a 31ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2013, o jornalista Mauro Cézar Pereira fez um somatório das penalidades assinaladas naquele campeonato e desde 2011: Cruzeiro na frente na somatória dos três anos. O “campeão” de pênaltis naquele ano seria o Criciúma, com 9, seguido pelo SPFC, com 8, e o Cruzeiro, com 7. O Corinthians terminou com 6.

    PS³: No “Raio-X” das penalidades do Brasileiro de 2014, o Cruzeiro não foi o primeiro colocado em penalidades a favor (empatou com Flamengo e Botafogo, com seis, e ficou atrás de São Paulo e Fluminense, com oito cada), mas novamente “superou” o Corinthians, que teve 5 – igual número de Galo, Palmeiras e Vitória.

    Comentário: Um cálculo simples, portanto, mostra que, além do Cruzeiro (33) e o Fluminense (31) têm MAIS PÊNALTIS A FAVOR do que o Corinthians e o São Paulo (ambos com 29) desde 2011. O Atlético-MG, com 28, teve apenas um a menos e é o quinto no geral.

    Então é “Pênalti pro Cruzeiro”?

    Não. Não dá audiência.


  • Uma tragédia anunciada

    Confira esta sequência de fatos:

    1- Paolo Guerrero é diagnosticado com dengue e desfalca o Corinthians por pelo menos 10 dias.

    2- Corinthians e San Lorenzo empatam sem gols na Arena Corinthians; o Corinthiians assegura a classificação às oitavas e a primeira colocação de seu grupo;

    3- O SPFC vence, nos minutos finais, o uruguaio Danubio, e ainda corre riscos matemáticos de eliminação na última rodada;

    4- Corinthians e SPFC são eliminados do Campeonato Paulista no mesmo dia: o Corinthians para seu maior rival, nos pênaltis e em casa, o SPFC em derrota clara para o Santos na Vila;

    5- Corinthians e SPFC vão se enfrentar três dias depois, na casa são-paulina, em jogo de “vida ou morte” para o SPFC, que não vence o Timão no Morumbi desde 2007;

    6- O presidente são-paulino, Carlos Miguel Aidar, começa a especular sobre o árbitro da partida, afirmando que o mesmo “gosta de expulsar” atletas de sua equipe.

    Os 6 itens estão entrelaçados, e de certa forma se explicam entre si: coisa que só percebemos depois, a derrota corinthiana na última rodada da 1ª fase da Libertadores era uma tragédia anunciada.

    O Timão foi a campo com: Cássio; Fagner, Gil, Felipe e Uendel; Ralf; Elias, Renato Augusto, Jadson e Emerson Sheik; Vágner Love.

    O São Paulo, precisando do resultado, começou com muito mais intensidade. Até a metade do primeiro tempo, antes do primeiro gol, o time do Morumbi havia finalizado seis vezes contra apenas uma – sem qualquer perigo – do Corinthians.

    Aos 18 minutos, o lance capital: Rafael Tolói faz falta em Emerson Sheik, e o árbitro equivocadamente marca infração do corinthiano; nesse momento, o são-paulino  tenta acertar Emerson, deitado; em seguida, tenta mais uma vez e desfere pisão na perna do jogador número 11. O árbitro nada assinala.

    Quando a partida é retomada, fora de lance, Emerson estica a perna e levemente atinge Tolói, que simula uma agressão grave, levando as mãos à perna e rolando no chão, clamando dor.

    Emerson foi pouco inteligente, não há dúvidas, mas ali se tornava visível a “desproporcionalidade” com que Sandro Meira Ricci (initimidado pelas declarações do presidente do SPFC?) agiria na noite.

    Emerson Sheik é expulso aos 18 minutos do primeiro tempo
    Emerson Sheik é expulso aos 18 minutos do primeiro tempo

    Já com um homem a menos, o Corinthians foi ficando cada vez mais acuado e cada vez com menos posse de bola — num dado momento o Tricolor chegou a ter 70%, contra meros 30% do alvinegro!

    Os dois gols saíram muito próximos um do outro, dando a impressão de que poderia acontecer uma goleada: aos 31 minutos, Felipe afasta mal, deixando a bola nos pés de Hudson, que toca para Luís Fabiano fazer seu primeiro gol na competição. Oito minutos depois, Michel Bastos arrisca de longe, Cássio comete uma falha (a bola quicou à sua frente), e o SPFC chegava ao placar da vitória.

    No segundo tempo, o Timão faria três substituições: já no intervalo, Mendoza substitui Vágner Love (mais uma vez desaparecido, ainda que menos atrapalhado); aos 15, Bruno Henrique toma o lugar de Jadson, sobrecarregado na armação; e aos 24, Danilo entra no lugar de Renato Augusto, que foi bastante caçado em campo e sentia dores.

    Mendoza seria o pivô do segundo momento mais importante da noite: o colombiano está na lateral direita do ataque corinthiano. Sofre duas faltas em sequência. Na segunda, a bola já estava fora de disputa e o atleta além dos limites de campo. Claramente empurrado por Luís Fabiano, vira-se de forma ríspida, atingindo o braço do atacante.

    Luís Fabiano, inspirado em Rivaldo, leva as mãos ao rosto e deita em campo. Discussão, pressão dos são-paulinos.

    Depois de alguns minutos de confusão, Meira Ricci toma sua decisão: Mendoza é expulso DIRETO, por (tentativa de) agressão. Luís Fabiano, que recebera amarelo minutos antes por reclamação, recebe a segunda advertência, por… simulação.

    Espera aí! Se simulou não houve agressão; se houve agressão não houve simulação! Um é expulso direto (sem direito a revisão, portanto); o outro é expulso por conta aritmética…

    E agora, Aidar?

    É isso: eliminação no Paulista e “água no chopp” da classificação da Libertadores: uma semana para palmeirense, são-paulino e “anti” nenhum botar defeito!

    Mas aqui é Corinthians: como disse Elias em entrevista pós-jogo, “nossa equipe nunca foi de se abater”.

    Os retornos de Paolo Guerrero e do lateral Fábio Santos (sofreu contusão no final de fevereiro) darão novo combustível ao time, que tem duas semanas para dar descanso a alguns jogadores e retomar o fôlego do início da campanha, enfrentando o Guarani, no Paraguay.

    Vai, Corinthians!

    Marcel Pilatti


  • La mano de Francisco

    O Corinthians segue absoluto na temporada 2015: são 23 jogos oficiais seguidos sem derrota. Somando-se a última partida válida por competição, são 24 duelos em que o time está invicto.

    Em casa, na Libertadores, a última derrota aconteceu na dolorosa edição de 2006 – desde então, são 20 jogos como mandante na competição, e nenhuma derrota. Outra sequência se dá em Itaquera: em 31 partidas oficiais, a única derrota foi a partida inaugural.

    No entanto, isso não significa que o time não tenha seus percalços e não titubeie em alguns momentos.

    Na última quinta-feira, o Timão começava bem: recorde de público em Itaquera.

    Nos bastidores, torcedores do São Paulo se viam numa situação delicada: embora afirmassem que “jamais torceriam” pelo Timão (e o próprio Rogério Ceni chegou a usar essas palavras), ao mesmo tempo “acusavam” o Corinthians de possivelmente facilitar para o San Lorenzo, ainda antes do jogo.

    O Timão foi a campo com o já tradicional 4-1-4-1: Cássio; Fagner, Gil, Felipe e Uendel; Ralf; Jadson, Renato Augusto, Elias e Emerson Sheik; Vágner Love.

    A partida foi bastante semelhante à primeira, em Buenos Aires: jogo bastante aberto, com as duas equipes se defendendo bem e contra-atacando rapidamente. De diferente, porém, a menor quantidade de chances reais de gol.

    O Timão sentiu bastante a falta de Paolo Guerrero, especialmente por conta da partida abaixo da média protagonizada por Vágner Love: o atacante errou bolas fáceis, teve dificuldade em domínio de bolas lançadas, e não conseguia acelerar as jogadas em dribles curtos.

    As melhores chances corinthianas vieram com Renato Augusto, no primeiro tempo (em dois lances de rebote, um quase na pequena área e outro de fora), e com Jadson, de falta, na etapa complementar. O San Lorenzo ameaçou de verdade apenas no primeiro tempo, em duas falhas individuais – Gil, após lançamento, e Felipe, em escanteio – da zaga do Timão.

    Renato Augusto foi eleito o melhor da partida
    Renato Augusto foi eleito o melhor da partida

    Na etapa final, o Corinthians realizou suas substituições: aos 15 Danilo entrou no lugar do atabalhoado Love, e nos minutos finais Mendoza substituiu Émerson Sheik. Nada que modificasse o placar.

    Com o empate sem gols, o Timão garantiu sua passagem às oitavas e ainda por cima na primeira colocação.

    Já o “time do Papa” conseguiu feito raro: não sofreu gols na Arena Corinthians. Mais que isso, manteve vivas e reais suas chances de classificação: deve vencer o Danubio, em casa, e torcer para que o Corinthians vença o São Paulo.

    Para os torcedores do clube de Almagro, esse parece um milagre menor para quem conseguiu sua primeira Libertadores e voltou a vencer o campeonato argentino após mais de uma década desde que Francisco I assumiu o pontificado.

    E para o corinthiano, colaborar com mais essa “bênção” será muito gratificante.

    Vai, Corinthians! 

    Marcel Pilatti


  • Danúbio Azul

    A equipe corinthiana apresenta, hoje, um nível de excelência no futebol brasileiro: nenhum outro time do país consegue unir tamanha eficiência e qualidade técnica. Isso posto, assistir a nova vitória do Timão diante do Danúbio foi como observar uma apresentação daquela famosa valsa de Strauss — relembre aqui: movimentos sincronizados, notas limpas, sonoridade perfeita.

    É claro que se trata de um adversário bastante frágil (perdeu todos os 4 jogos disputados, e conseguiu marcar gols somente como mandante), mas esse tipo de situação tem se repetido ao longo de 2015. Como na estreia na fase de grupos, diante do SPFC, somente o Corinthians jogou. E um jogador em especial jogou como nunca.

    O Timão foi a campo com: Cássio; Fagner, Felipe, Gil e Uendel; Ralf; Jadson, Elias, Renato Augusto e Emerson; Guerrero 

    Logo no início da partida, Emerson recebe em profundidade na esquerda, se aproxima da área e cruza rasteiro para Paolo Guerrero. O peruano, muito marcado, finaliza e o goleiro defende; no rebote, Elias tenta a finalização cercado por vários adversários.

    Poucos minutos depois, lance parecido: Uendel recebe na linha de fundo e cruza para trás; Jadson faz o corta-luz e Emerson Sheik entra para definir. Nova defesa do goleiro uruguaio. Em novo ataque, aos 25 minutos, Guerrero recebe na entrada da área e é derrubado. Falta. Jadson cobra no melhor estilo Neto/Marcelinho e coloca a bola no ângulo direito. Golaço.

    Em uma das poucas vezes em que se pode dizer que o Danúbio foi ao ataque, Felipe despacha a bola para o meio de campo dando início a um contra ataque mortal: de costas, Guerrero mata bola já realizando um passe milimétrico para Jadson, na meia direita. O camisa dez retarda o passe aguardando Elias avançar e lança o meia, que foge da falta e cruza para Guerrero cabecear: outro lindo gol do Timão.

    Guerrero marca o segundo gol do Timão

    Entre o chutão de Felipe e o cabeceio de Guerrero, 13 segundos e 9 toques na bola. Foi como na valsa: Pa-ra-ra-ram… Pam-pam! Pam-pam!

    Logo no início da etapa complementar, um quase replay do segundo gol: outra vez Felipe despacha a bola, outra vez Guerrero a domina. Agora, o passe é para Renato Augusto, que manda a bola para Emerson. Sheik cruza na medida e Guerrero, sem pulo, finaliza sem chances para o goleiro adversário.

    Nos 20 minutos seguintes, o Timão diminuiu o ritmo, mas sem jamais ser ameaçado. Aos 22, falta na ponta direita. Jadson cruza e… Guerrero, no que provavelmente seria pênalti,  finaliza já quase deitado. Terceiro gol do peruano no jogo, seu primeiro hat-trick com a camisa do Timão (são 53 até agora).

    As substituições aconteceram somente na reta final da partida: aos 28 minutos, Edu Dracena entra no lugar de Felipe; aos 34, Elias dá lugar a Petros; e aos 41, Vágner Love substitui Emerson. Quase nos acréscimos, o camisa 29 acerta a trave em rebote de chute de Petros.

    Agora, na Libertadores, são 6 jogos, 5 vitórias e 1 empate. 14 gols marcados e apenas 2 sofridos. O Corinthians chegou à sua 21ª partida invicto ao longo do ano. Em jogos válidos por competições oficiais, a última derrota corinthiana foi em 30 de novembro de 2014. Parece que foi no tempo de Strauss.

    Vai, Corinthians!

    Marcel Pilatti

    PS: Desnecessário dar alguma importância, mas apenas para mencionar, tivemos um caso de injúria racial contra Elias. Mas o Corinthians é o time do povo: é preto e branco.


  • Danúbio e o Manto Negro

    O Rio Danúbio nasce na Floresta Negra, na Alemanha, e termina no Mar Negro, em território da Romênia. É, portanto, limitado por duas forças da natureza associadas a uma mesma cor.

    Corinthians e Danúbio, do Uruguai, haviam se enfrentado apenas uma vez na história: o duelo aconteceu na Copa do Atlântico – um dos torneios precursores da Libertadores – de 1956: no Pacaembu, empate no tempo normal por 2 a 2, e classificação corinthiana após sorteio. A sorte, portanto, estava do lado do Manto Negro.

    59 anos depois, as equipes voltam a se encontrar, desta vez no Uruguai.

    A diretoria, antes do começo da partida, já apontava para aquela que seria uma das principais dificuldades do time na partida: a baixa qualidade do estádio e do gramado do Danúbio. Para aumentar a contrariedade, os torcedores corinthianos teriam de pagar quatro vezes mais pelos ingressos. No entanto, como diz o ditado, jogo se ganha no campo.

    Novamente, Tite adotou o esquema 4-1-4-1. A equipe foi a campo com: Cássio, Fagner, Gil, Felipe e Uendel; Ralf; Elias, Renato Augusto, Jadson e Emerson; Guerrero.

    O primeiro tempo foi bastante fraco, com poucos lances de perigo dos dois lados. Muitas faltas de ataque. No começo, o Danubio conseguiu uma boa chance em cruzamento, mas Cassio fez bela defesa. Do lado corinthiano, apenas Guerrero conseguia algo diferente.

    Aos 27 minutos, uma chance boa para o Coringão: Jadson e Uendel tabelam, o lateral tenta por cobertura, a zaga adversária afasta e, no rebote, Sheik chuta com perigo.

    Doze minutos depois, um lance capital: Elias lança Guerrero que, já dentro da área, dribla o zagueiro uruguaio e e é derrubado. Pênalti claro. Para todos, menos para o árbitro chileno.

    No segundo tempo, o Corinthians ainda tem dificuldades de início, e as chances mais claras são do Danúbio.

    Aos 16 minutos, porém, novo pênalti para o Timão. Desta vez, o juiz assinalou. Sem o cobrador oficial de penalidades – Fábio Santos -, Guerrero chega na bola, mas a cobrança fica a cargo de Renato Augusto. O meia isola: chute alto, à direita do goleiro.

    Parecia uma chance perdida, e o empate seria o destino. Mas apenas oito minutos depois, Fagner recebe passe de Jadson e, com velocidade, cruza para Guerrero: o peruano engana o zagueiro, antecipa-se e bate de sem pulo. Lindo gol.

    Mais um golaço do Timão na Libertadores!

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    Guerrero comemora o primeiro gol do Timão

    Nesse momento acontece a única substituição do Corinthians: Renato Augusto dá lugar a Danilo. O meia, famoso por seu controle da bola (Zidanilo, para os torcedores), passa a ditar o ritmo de jogo.

    Aos 32 minutos, Graví faz dura falta em Guerrero, do lado direito. Jadson cruza na medida para o zagueiro Felipe cabecear. Segundo gol do defensor, tão questionado, nessa Libertadores.

    A vitória estava assegurada, e o Timão ia completando seu sétimo jogo consecutivo sem sofrer gol… Até que um vacilo na intermediária, já nos acréscimos, permite a Barreto dar bela arrancada, passar por quatro defensores, e marcar um golaço.

    Mas é aquilo: 2 a 0 ou 2 a 1 valem três pontos. E o Corinthians não perde em jogos oficiais desde novembro.

    Como 59 anos antes, a sorte estava do lado do Timão, e Danúbio mais uma vez padece diante do negro. O alvi-negro de Parque São Jorge. Ou Itaquera.

    Vai, Corinthians!

    Marcel Pilatti


  • O fim do jejum

    Até entrar em campo na última quarta-feira (04), o Corinthians vinha de um péssimo retrospecto enfrentando times argentinos no solo rival em competições oficiais: somando-se Libertadores da América, Copa Mercosul e Copa Sul-Americana, houve um total de 15 partidas com 11 derrotas, 2 empates e apenas 2 vitórias. 28 gols sofridos, 15 marcados. Se levados em conta somente os resultados da Libertadores, 1 empate e 5 derrotas.

    Porém, um bom presságio: a última vitória corinthiana em solo hermano havia acontecido diante do mesmo San Lorenzo, em 2001, pela Copa Mercosul. Outro ponto que gerava otimismo era a ausência de torcida no estádio Nuevo Gasómetro: em punição semelhante à ocorrida com o Timão em 2013, o “time do Papa” seria mandante sem torcedores para apoiar.

    Jogadores de clubes argentinos possuem o velho estigma da “catimba”, misturando simulações, provocações e alguma violência. No entanto, tais atitudes são bastante inflamadas com a presença dos “hinchas“. Sem eles, acontece um jogo muito mais solto, mas igualmente complicado.

    O Timão foi a campo com: Cássio; Fagner, Edu Dracena, Gil e Uendel; Ralf, Renato Augusto, Jadson, Danilo e Elias; Mendoza.

    Nos primeiros 15 minutos de partida, o Corinthians praticamente se manteve atrás do meio de campo. Uendel e Dracena, ambos sem ritmo de jogo, deram algum espaço para os rivais. Logo no início, uma bola cruzada na área trouxe grande perigo à defesa alvinegra em cabeceio de Blanco. A partir dali, o Coringão foi se ajeitando e arrumando os espaços no setor defensivo.

    A primeira boa chance do Corinthians veio aos 32 minutos: Elias recebeu passe de Renato Augusto e lançou Danilo, partindo em velocidade. Danilo conseguiu uma boa finta e, com o pé “ruim”, cruzou na medida para o camisa 7 cabecear. Ótima defesa do goleiro adversário.

    No segundo tempo o Timão faria três substituições: já no intervalo, Cristian entrou no lugar de Renato Augusto, que sofreu uma falta e ficou com dores no tornozelo; Petros substituiu Mendoza no início da etapa; e já no final do jogo Jadson deu lugar a Edilson, reforçando a parte defensiva.

    Logo aos 10 minutos, a chance mais clara do clube argentino: Quignón cruzou e Mattos, um pouco desequilibrado, acertou a trave. Na sequência do lance, escanteio. Cruzamento na medida para Mattos cabecear rente à trave.

    Nove minutos depois, Cassio cobra um tiro de meta que acabou se tornando um lançamento: Elias recebeu a bola do goleiro no meio de campo, driblou dois jogadores de uma só vez e partiu em velocidade. Petros o acompanhava pela direita e se posicionou para receber o passe. Elias tentou, mas o zagueiro argentino cortou e, na verdade, acabou “tabelando” com o meia, que chutou de primeira, com força, no ângulo direito do goleiro.

    Mais um gol corinthiano na Libertadores, mais um golaço, mais um de Elias.

    O San Lorenzo voltaria a pressionar, e a melhor chance aconteceu aos 36 minutos: Alan Ruiz arriscou de longe, Cassio rebateu e a bola sobrou para Cauteruccio, que chutou por cima do gol. Mais algumas chances da equipe argentina se sucederam naqueles minutos. Aos 39, Cassio operou verdadeiro milagre em chute sem pulo de Cauteruccio.

    14 anos depois, o Corinthians sai com uma vitória na Argentina, tendo arriscado quando necessário e trabalhado de forma pragmática na maior parte do tempo. Abusando dos clichês, o Timão hoje é uma equipe extremamente equilibrada em todos os setores.

    A vitória em Buenos Aires foi o triunfo de um time que já está “cascudo” e que sabe segurar jogos e aproveitar erros dos adversários. Exatamente como os argentinos sempre fizeram contra os brazucas.

    O Timão agora lidera de forma isolada o seu grupo, e tem a melhor defesa da competição. Mais que isso, permanece invicto em jogos oficiais na temporada 2015.

    Vai, Corinthians!

    Marcel Pilatti


  • Um ótimo começo

    Corinthians e São Paulo jamais haviam se enfrentado pela Taça Libertadores de América, mesmo participando de algumas edições (2006, 2010, 2013) ao mesmo tempo. Nesse sentido, o jogo já seria histórico. E fez valer a história do clássico.

    Com a suspensão de Paolo Guerrero, expulso no primeiro confronto pela Pré-Libertadores diante do Once Caldas, temia-se que a equipe perdesse seu poder ofensivo. Mas não: Tite optou por escalar Danilo na posição do peruano – já fizera isso no segundo jogo, na Colômbia – e manteve o 4-1-4-1, que afirma ter sido inspirado no Real Madrid (confira clicando aqui ótima análise do esquema).

    O Timão entrou em campo com: Cássio; Fagner, Gil, Felipe e Fábio Santos; Ralf; Jadson, Elias, Renato Augusto e Emerson; Danilo.

    Basicamente, com essa formação o Corinthians ganha em dois pontos fundamentais: aumenta a troca de passes no meio de campo (tanto em quantidade quanto em eficiência), e consegue diferentes avanços à área adversária, uma vez que são 5 jogadores com algumas características semelhantes.

    As duas coisas aconteceram logo no início do primeiro tempo: embalados pela presença maciça da torcida (recorde de público na Nova Arena), Fagner lança Jadson, que chuta cruzado; a bola espirra e sobra para Fábio Santos chutar com perigo. Poucos minutos depois, excelente triangulação de Danilo, Elias e Jadson resultou em passe à la Messi do camisa 10 para o camisa 7 que, com perfeição no timing, chutou de primeira na entrada da área: Corinthians 1×0.

    Na sequência da primeira etapa, o Timão desacelerou, mas o SPFC não fez nada para elevar o nível do jogo (só chegou a assustar, e muito timidamente, com escanteios): como resultado, uma primeira etapa que começou fervendo terminou morna.

    Porém, mesmo que sem modificações no “onze ideal”, o Corinthians voltou mais forte para o segundo tempo. Houve, pelo menos, duas chances claras de gol. O São Paulo não chegou à área corinthiana NENHUMA vez.

    Na metade da segunda etapa, Emerson Sheik disputa bola na intermediária defensiva (a maioria das opiniões aponta para falta do camisa 11) derrubando o adversário, e inicia contra-ataque mortal: três defensores são-paulinos firmam-se no atacante corinthiano e deixam Jadson avançar livre pela direita.

    Em nova demonstração de tempo de bola apurado, Sheik cruza rasteiro para o camisa 10, que entra na área e dá corte clássico no defensor adversário (Reinaldo caiu sentado) e conclui – fraco – com a perna esquerda. Rogério Ceni, marcado por diversas falhas contra o Timão, ainda toca na bola mas não evita o gol: Corinthians 2×0.

    Nos 25 minutos finais, só deu Corinthians: Danilo se posicionou perfeitamente, em passes de Fagner, Renato Augusto e Elias, mas os chutes não foram tão bons: um rasteiro e sem muita força, outros dois excessivamente altos.

    Uma vitória incontestável, e que dá muito ânimo para essa longa 56a. edição da Libertadores: com a Copa América, em junho, as semifinais só acontecerão em julho e a decisão será em agosto. Tempo para o Timão ficar ainda mais entrosado e calibrado.

    Valeu, Corinthians!

    Rumo à segunda conquista da América.

    Marcel Pilatti


  • O adeus de Mano e o retorno de Tite

    Um ano após deixar o clube, Adenor Leonardo Bacchi, o Tite, retorna ao Corinthians.

    Segundo treinador que mais dirigiu o clube e maior vencedor de títulos à frente da equipe, o gaúcho tem tudo para aumentar ainda mais seus recordes no comando do Timão. Sua despedida (no Pacaembu), após a última rodada do Campeonato Brasileiro de 2013, deixou claro que o técnico se tornou um verdadeiro ídolo do clube.

    No entanto, Tite está longe de ser unanimidade.

    Duas grandes críticas são feitas a ele: uma, pontual, diz que “o time não joga bonito”, “há muita retranca”, etc. O curioso, nesse caso, é que são críticas vindas de quem geralmente cobra a seleção de 1982, por exemplo, por não ter ganhado a Copa, ou quem minoriza a história de Rivellino no Timão, apontando sua ausência de títulos com a camisa alvinegra.

    Também, é claro, nenhum desses críticos trocaria um time “ofensivo” pela primeira Libertadores ou pelo Mundial do Japão.

    A outra crítica feita ao trabalho de Tite se refere a uma suposta falta de criatividade e inovação, caracterizando-o como um “sortudo” que “soube aproveitar” boas heranças deixadas em trabalhos anteriores.

    Na entrevista coletiva após a partida Corinthians 2×1 Criciúma – última rodada do Campeonato Brasileiro de 2014 –, um jornalista tentou arrancar de Mano Menezes algum ataque direto a Tite, ou alguma palavra que o considerasse esse “aproveitador”.

    – ‘Como fica pra você ver novamente o mesmo filme se repetindo, em 2010 você deixou o clube tendo feito uma reformulação, para uma pessoa depois brilhar com essa equipe, e agora, novamente fazendo a reformulação, e a mesma pessoa vai assumir?…

    Mano foi nobre ao não citar o nome de seu provável sucessor e muito menos dar a ele essas características. E outra coisa: o técnico que substitui Mano, agora, não é o mesmo que o substituíra em 2010. Ou ninguém se lembra do terrível Adílson Batista?

    Adílson comandou o Timão entre meados de julho e final de outubro daquele ano. Nesse período, pegou uma equipe que liderava e estava invicta em casa e a fez emendar uma série sem vitórias e deixou-a fora da zona de Libertadores.

    Foi esse o Corinthians que Tite assumiu.

    Façamos um retrospecto do campeonato Brasileiro de 2010:

    BRASILEIRO 2010

    MANO

    TITE

    Rodadas

    11 (1ª a 11ª)

    8 (31ª a 38ª)

    Desempenho

    7V 3E 1D

    5V 3E 0D

    Pontos

    24

    18

    Aproveitamento

    72,7%

    75%

    Gols marcados

    20

    13

    Média

    1,81

    1,63

    Gols sofridos

    12

    3

    Média

    1,09

    0,38

    Em casa

    6V (100%)

    4V (100%)

    Fora de casa

    1V 3E 1D (40%)

    1V 3E (50%)

    Primeiros 10 colocados

    5V 1E (88,9%)

    3V (100%)

    Últimos 10 colocados

    2V 2E 1D (53,3%)

    2V 3E (60%)


    Obs.: entre a saída de Mano Menezes (julho) e a chegada de Tite (outubro), o Corinthians foi comandado por Adilson Batista, que obteve os seguintes números: 18 jogos (12ª a 29ª rodadas), 7 vitórias, 4 empates e 7 derrotas. 25 pontos em 54 disputados. Aproveitamento de 46,3%. Na 30ª rodada (empate) assumiu o interino Fábio Carlille.

    Se desenhássemos, veríamos os desempenhos de Mano e Tite muito próximos, e o de Adílson discrepante.

    grafico_tecnicos

    Tite assume o Corinthians numa reta final de Campeonato, com o time completamente em crise técnica e arriscando fazer vergonha no ano de Centenário. Assume um time que perdeu de Atlético Goianiense em casa e estreia justamente no clássico de maior rivalidade. E vence o Palmeiras.

    A equipe não sofre derrotas e leva apenas três gols, sendo um de pênalti e outro em falha individual do goleiro.

    Porém, essa sequência de resultados deixou o Timão na terceira colocação do certame, sendo obrigado a participar da pré-Libertadores, o que afetaria toda uma programação para a temporada seguinte. Basicamente, desde que retornara ao Corinthians Tite não teve tempo para REALIZAR trabalhos: sempre foram jogos decisivos, e que demandavam vitórias urgentes.

    Os jogos da fase classificatória aconteceram ainda em janeiro. E o resultado todos sabem: a tragédia na Colômbia, contra o Tolima.

    Aquele foi o momento mais baixo da trajetória de Tite no Corinthians, e um dos piores da história recente da equipe. 99,99% dos torcedores o queriam fora da equipe. Mas o técnico foi mantido. Jogadores foram embora. Jogadores se aposentaram. Jogadores foram contratados. Jogadores saíram do banco de reservas. Nova filosofia de trabalho foi implantada. Novo esquema tático foi adotado.

    [Leia, clicando aqui, excelente entrevista de Tite relembrando o fatídico momento]

    E, a partir dali, uma sequência que somente outros 6 clubes a nível mundial conseguiram: título da Liga Nacional, do Torneio Continental, do Mundial de Clubes e da Recopa.

    Entre o time que venceu a finalíssima diante do Chelsea em 2012 e aquele que Tite assumiu na reta final do Brasileirão de 2010, pouquíssimas semelhanças: somente Alessandro, Chicão, Ralf e Paulinho eram titulares nas duas ocasiões.

    Paulinho, cerne da equipe que triunfou em 2012, foi “descoberto” e contratado por Mano: mas só se tornou protagonista com Tite. Da mesma forma, o Guerrero que chegou em 2012 e brilhou no mundial com Tite passou a ser peça-chave da equipe apenas na campanha do Brasileirão em 2014, com Mano.

    De certa forma, os trabalhos de Mano e Tite se completam. No entanto, parece que é o gaúcho mais velho (Tite é de 1961, Mano de 1962) quem tem mais a cara do Corinthians.

    Como disse Charles Gavin, “ele é o nosso Alex Fergusson”.

    Valeu, Mano! Seja bem-vindo de volta, Tite!

     Marcel Pilatti